EQUIPE ESPECIALIZADA DA SANTA CASA MONTES CLAROS REALIZA TÉCNICA INOVADORA PARA TRATAR CÂNCER AVANÇADO

Ana Paula Paixão
Um procedimento de alta complexidade, ainda pouco difundido no Brasil, está trazendo novas perspectivas para pacientes com câncer avançado e refratário (que não responde aos tratamentos convencionais). A equipe da Santa Casa Montes Claros realizou, no setor de hemodinâmica, uma quimioterapia intra-arterial em um paciente com tumor metastático localizado no terço superior do esôfago. A lesão primária do paciente era um carcinoma espinocelular de base de língua, previamente operado em outro centro médico.
Atualmente, o paciente é acompanhado em um dos principais centros oncológicos de São Paulo, que é referência nacional na área, e já passou por cirurgias, radioterapia, imunoterapia e quimioterapia convencional. Mesmo mantendo o tratamento com imunoterapia, a doença progrediu, apresentando uma nova lesão no terço superior do esôfago. Diante desse cenário, após discussão multidisciplinar entre as equipes de oncologia, neurorradiologia intervencionista e radiologia intervencionista, foi indicada quimioterapia intra-arterial na Santa Casa.
“Por ser um paciente sensível à quimioterapia, mas que apresentava intensos efeitos colaterais no método convencional, optamos por um procedimento ultra específico. A técnica permite a injeção direta do fármaco na lesão, garantindo maior concentração da droga no tumor e redução significativa dos efeitos colaterais. Embora incomum para lesões de cabeça e pescoço, a literatura internacional descreve bons resultados”, explicam o neurocirurgião intervencionista Dr. Luís Gustavo Biondi e a radiologista intervencionista Dra. Maria Luiza Teixeira.
Como funciona a técnica
O procedimento exige um trabalho conjunto e minucioso. Consiste em um cateterismo superseletivo das artérias que nutrem o tumor.
● O acesso: Um cateter é inserido pela artéria femoral (na perna) ou radial (no braço) até a região próxima ao tumor.
● A precisão: Após o estudo minucioso da anatomia e dos vasos e do tumor, um micro cateter é introduzido para alcançar os principais vasos que alimentam a lesão.
● O benefício: Isso torna a aplicação extremamente específica, reduzindo os riscos de a medicação atingir regiões saudáveis (não-alvo).
Os médicos ressaltam que a abordagem permite uma concentração de fármaco intratumoral cerca de 10 vezes maior do que na quimioterapia comum. “O paciente apresenta muito menos sintomas pós-procedimento, o que garante qualidade de vida a alguém que, geralmente, já está bastante debilitado pela doença oncológica”, pontuam.
Alta complexidade e planejamento minucioso
Diferente de tumores no fígado, onde a técnica é mais comum, a aplicação no pescoço é um desafio maior devido à anatomia complexa, vasos mais finos e anastomoses (comunicações) perigosas com as artérias cerebrais. O planejamento exige um estudo detalhado, já que a anatomia regional pode estar distorcida por cirurgias e radioterapias anteriores.
Outro diferencial foi a adoção de um protocolo próprio. “O procedimento requer um preparo pré e pós-operatório específicos. Seguimos um novo protocolo criado especificamente para o nosso serviço pela oncologista Dra. Romana Barbosa”, afirmam os especialistas.
Para o superintendente do hospital, Maurício Sérgio Sousa e Silva, a iniciativa reforça o papel da Santa Casa Montes Claros como referência em alta complexidade. “Além da tecnologia avançada, temos o privilégio de contar com profissionais preparados para casos desafiadores. Isso mostra que a Santa Casa oferece tratamento de ponta, estrutura e acolhimento para toda a região”.
Equipe Multidisciplinar
O sucesso da intervenção foi fruto da integração de uma equipe ultra especializada:
● Neurorradiologia Intervencionista: Dr. Luís Gustavo Biondi, Dr. Marcilio Monteiro e Dr. Giovani Inácio Batista
● Radiologia Intervencionista: Dra. Maria Luiza Teixeira.
● Oncologia: Dra. Romana Barbosa.
● Enfermagem e apoio: enf. Adriane Neves, além das equipes de farmácia e técnicos de enfermagem.
