
Criminosos utilizam informações reais de processos judiciais para enganar vítimas em diversos estados brasileiros
Um caso registrado recentemente acendeu o alerta sobre a atuação de quadrilhas especializadas no chamado “golpe do falso advogado”. Um cliente da cidade de Brasilândia de Minas perdeu aproximadamente R$ 18 mil após ser enganado por criminosos que se passaram por integrantes de um escritório de advocacia.
Segundo o advogado Nestor Rodrigues, os golpistas possuíam informações detalhadas e verdadeiras sobre um processo judicial em andamento, o que deu credibilidade à abordagem.
“Eles entraram em contato com o cliente informando dados reais do processo e afirmando que a ação havia sido concluída com êxito. Durante a conversa, encaminharam um link e orientaram o cliente a acessá-lo”, relata o advogado.
Após clicar no link, a vítima abriu o aplicativo bancário para realizar uma operação solicitada pelos criminosos. Pouco tempo depois, perdeu o acesso à própria conta bancária.
Segundo informações preliminares, os golpistas conseguiram assumir o controle do aplicativo e realizar movimentações financeiras, causando um prejuízo estimado em R$ 18 mil.
O caso foi encaminhado às autoridades policiais. A orientação foi para que a vítima registrasse boletim de ocorrência e solicitasse investigação à Polícia Civil.
Atuação em vários estados
O que mais preocupa é que a ação criminosa não ficou restrita a um único cliente.
De acordo com Nestor Rodrigues, outros clientes do escritório receberam contatos semelhantes em diferentes regiões do país, incluindo Minas Gerais, Bahia e Maranhão.
“Eles abordaram diversos clientes nossos. Felizmente, a maioria desconfiou da situação e procurou o escritório antes de realizar qualquer procedimento. Mas o nível de informação que os criminosos possuem chama a atenção”, afirma.
Até o momento, não há confirmação sobre como os golpistas obtiveram acesso aos dados dos processos e às informações dos clientes.
Como funciona o golpe
A fraude geralmente começa com uma ligação telefônica ou mensagem por WhatsApp.
Os criminosos utilizam o nome do advogado, fotografias retiradas das redes sociais, logomarcas dos escritórios e informações reais dos processos para convencer as vítimas.
Em muitos casos, afirmam que existe um valor judicial disponível para saque e que seria necessário realizar algum pagamento, atualização cadastral ou procedimento eletrônico para liberar os recursos.
Em outras situações, enviam links fraudulentos que podem permitir a captura de dados pessoais e bancários.
Como se proteger
Especialistas orientam que a população adote alguns cuidados básicos:
• Nunca clique em links enviados por desconhecidos;
• Confirme qualquer informação diretamente com seu advogado pelos telefones já conhecidos;
• Desconfie de pedidos de PIX, depósitos ou transferências relacionados a processos judiciais;
• Não compartilhe senhas, códigos de autenticação ou dados bancários;
• Em caso de suspeita, interrompa imediatamente o contato;
• Registre boletim de ocorrência e comunique o banco o mais rápido possível.
Projeto de Lei fortalece combate ao crime
O crescimento dos golpes envolvendo a identidade de advogados levou à aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei nº 4.709/2025.
A proposta cria mecanismos específicos para combater esse tipo de fraude, prevendo penas mais severas para criminosos que utilizarem indevidamente a identidade profissional de advogados e acessarem informações processuais para aplicação de golpes.
Entre as medidas estão o bloqueio mais rápido de contas utilizadas por fraudadores, proteção reforçada de dados processuais e criação de canais emergenciais para atendimento às vítimas.
Alerta
Para o advogado Nestor Rodrigues, a principal recomendação é a prevenção.
“Jamais realize qualquer pagamento ou procedimento solicitado por telefone ou aplicativo sem antes confirmar diretamente com seu advogado. Hoje os criminosos trabalham com informações verdadeiras e conseguem convencer muitas pessoas. A atenção é fundamental para evitar prejuízos”, alerta.
O caso reforça a necessidade de cautela por parte de todos os cidadãos que possuem processos em andamento na Justiça, especialmente diante do crescimento desse tipo de fraude em todo o país.