
Acidentes com o aracnídeo responderam por mais de 80% dos atendimentos a vítimas de animais peçonhentos na unidade.
Os acidentes provocados por escorpiões lideraram os atendimentos relacionados a animais peçonhentos realizados pelo Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF/Unimontes) ao longo de 2025. Ao todo, em 2025, o Hospital da Unimontes registrou 3.377 notificações relacionadas a acidentes com animais peçonhentos. Desse total, 2.711 casos foram decorrentes de picadas de escorpião, o que representa mais de 80% dos atendimentos registrados durante o ano.
O HUCF é referência em Montes Claros na assistência às vítimas de animais peçonhentos, com o trabalho coordenado pelo Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NUVEH). O hospital presta atendimento 100% gratuito, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com os dados do NUVEH, em 2025, depois dos casos decorrentes de picadas de escorpião, aparecem em segundo lugar no Hospital Universitário Clemente de Faria os atendimentos a vítimas de picadas de cobras (109), vindo na sequência: vítimas de acidentes com aranhas (82), insetos desconhecidos ou outros (46), abelhas (34), marimbondos (16) e lagartas (16).
Foram registrados ainda 45 acidentes envolvendo morcegos, além de ocorrências com primatas (5), animais silvestres (4) e ratos (3).
A análise mês a mês confirma que o acidente escorpiônico liderou as notificações durante todo o ano. Os maiores registros ocorreram em março (302 casos) e dezembro (277), enquanto outubro apresentou o menor número de atendimentos (148). O comportamento dos dados indica uma sazonalidade, com maior incidência nos períodos mais quentes e chuvosos.
Os registros mensais de picadas de escorpião foram: janeiro (267), fevereiro (262), março (302), abril (192), maio (213), junho (211), julho (197), agosto (224), setembro (179), outubro (148), novembro (239) e dezembro (277).
Outras ocorrências, como as picadas por serpentes e aranhas, apresentaram volumes significativamente menores, embora também tenham demonstrado tendência de aumento nos mesmos períodos críticos do ano, o que reforça a influência de fatores ambientais na ocorrência desses acidentes.
Bairros que concentram maior número de registros de atendimentos em Montes Claros
Conforme os registros do serviço de referência do HUCF, a análise territorial das notificações de acidente escorpiônico em Montes Claros em 2025 revela que as áreas com maior concentração de casos de picadas do aracnídeo foram: Santa Eugênia (302 casos), Jardim São Geraldo (267) e Nossa Senhora das Graças (262), seguidos por Vila Atlântida, Vila Áurea e Santo Expedito. Esses locais configuram áreas prioritárias para ações de vigilância, controle ambiental e educação em saúde.
Segundo a médica do NUVEH, Maressa de Morais Martins, os dados reforçam a necessidade de atenção permanente ao agravo. “O escorpionismo permanece como um importante problema de saúde pública. Por isso, é fundamental que a população adote medidas preventivas, como manter quintais e terrenos limpos, evitar o acúmulo de entulho, vedar ralos e frestas e sempre verificar roupas, calçados e roupas de cama antes do uso. Em caso de picada, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde e evitar práticas caseiras, como torniquetes ou aplicação de substâncias no local”, destaca.
Sobre os escorpiões
Os escorpiões são aracnídeos, assim como as aranhas, e algumas espécies oferecem riscos significativos à saúde humana. Existem cerca de duas mil espécies no mundo, sendo aproximadamente 100 registradas no Brasil. O gênero Tityus é responsável pelos casos mais graves, especialmente o Tityus serrulatus, conhecido como escorpião-amarelo.
Originalmente restrita a Minas Gerais, essa espécie se disseminou por grande parte do país e se reproduz por partenogênese, ou seja, sem necessidade de machos. Atualmente, os escorpiões estão bem adaptados aos ambientes urbanos, sendo encontrados com frequência em locais como esgotos, cemitérios e áreas com acúmulo de entulho, o que contribui para sua relevância como problema de saúde pública.

