Unimontes divulga aumento no custo de vida em Moc de março para abril; cesta básica sobe 3,21% no período

Montes Claros registrou aumento da inflação no mês passado. A pesquisa de variação de preços, realizada pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), computou elevação do Índice de Preços ao Consumidor de Montes Claros (IPC-Moc) de 0,91% em abril, contra 0,70% em março. O resultado mostra que o acumulado no ano já chega a 2,64%.
“Os resultados do IPC-Moc de abril de 2026 evidenciam a continuidade das pressões inflacionárias sobre o custo de vida das famílias montes-clarenses, especialmente nos grupos Alimentação e Transportes e Comunicação, que apresentaram as maiores contribuições para o índice geral do mês”, destaca a professora Vânia Vilas Boas, coordenadora do IPC-Moc. Ela explica que o aumento no preço de produtos alimentícios in natura, como batata inglesa, cenoura, cebola e tomate, além da alta dos combustíveis, “reforça o impacto de fatores sazonais, climáticos e logísticos sobre a dinâmica dos preços locais”.
Grupos
O Grupo Habitação, com peso de 21,2500, apresentou variação positiva de 0,48% e contribuiu com 0,10% para o resultado final do índice. As principais altas foram aluguel de imóvel (4,10%) e gás de botijão (2,40%), além de detergente (1,86%), ácido muriático (1,36%), sabão em pó (1,15%) e água sanitária (1,12%). Houve queda em ferro (-8,56%), ardósia/mármore/granito (-5,71%), parafuso/prego (-1,77%), compensado (-1,75%), cal (-1,33%) e tomadas (-1,14%).
O Grupo Artigos de Residência e Serviços Domésticos, com peso de 5,2400, apresentou variação positiva de 0,47% e contribuiu com 0,02% para o resultado final. Destacam-se altas em circulador de ar/ar-condicionado (3,95%), secadora de roupas (3,27%), computador (2,84%), tablet (2,71%) e aparelho telefônico (2,13%). Houve queda em aparelho celular (-8,77%), chapa para cabelo (-5,65%), cafeteira (-5,14%), ventilador (-3,80%), ferro elétrico (-3,60%) e tanquinho (-3,47%).
O Grupo Saúde e Cuidados Pessoais, com peso de 9,7400, apresentou variação positiva de 0,51% e contribuiu com 0,05% para o índice. Subiram de preço: plano de saúde (1,46%), antidepressivos (8,84%), medicamentos para hipertensão (7,57%), anti-inflamatórios (6,96%) e medicamentos para colesterol (4,07%). Caíram: fortificantes (-1,73%), expectorantes (-0,66%) e escova dental (-0,59%).
O Grupo Transportes e Comunicação, com peso de 19,6200, apresentou variação positiva de 1,53% e contribuiu com 0,30% para o resultado final. As principais altas foram óleo diesel (9,56%), gasolina (0,63%), etanol (0,37%) e seguro particular de veículo (4,20%).
O Grupo Vestuário, com peso de 5,9800, apresentou variação positiva de 0,81% e contribuiu com 0,05% para o índice. Destacam-se altas em toalha de rosto (2,40%) e cobertor de solteiro (2,00%), e quedas em toalha de mesa (-4,17%) e fronha (-1,51%).
O Grupo Educação e Despesas Pessoais, com peso de 8,7000, apresentou variação negativa de -0,72% e contribuiu com -0,06% para o resultado final. Houve alta em régua (2,57%), tesoura (2,01%), compasso (2,01%), tinta guache (2,01%), borracha (2,00%) e autoescola (1,33%). Apresentaram queda caderno (-1,51%), envelope (-1,33%) e brinquedos (-0,71%).
IPC-Moc
O IPC-Moc é o indicador da evolução do custo de vida das famílias montes-clarenses. Calculado desde 1982, o índice mede a variação de preços de um conjunto fixo de bens e serviços que compõem as despesas habituais de famílias com renda entre um e seis salários mínimos mensais.
Cesta Básica
Os preços dos gêneros básicos que compõem a cesta básica registraram variação positiva de 3,21% em abril, após elevação de 5,07% em março. Com esse resultado, a cesta básica acumula alta de 10,86% nos primeiros quatro meses de 2026.
As informações utilizadas para o cálculo dos preços dos 13 produtos que compõem a cesta básica de Montes Claros — carne bovina, leite tipo C, feijão, arroz amarelão, farinha, tomate, batata, pão de sal, café, banana-caturra, açúcar, óleo e margarina — têm como base a Pesquisa Mensal de Preços ao Consumidor, realizada desde 1982 para a elaboração do IPC-Moc.
Considerando o rendimento mensal de R$ 1.621, o trabalhador montes-clarense destinou 38,58% de sua renda para a aquisição da cesta básica. Em abril, o custo da cesta foi de R$ 625,37, superior ao observado em março (R$ 605,94). Após a aquisição, restaram ao trabalhador R$ 995,63 para as demais despesas essenciais, como moradia, saúde e higiene, serviços pessoais, lazer, vestuário e transporte.